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Em 2009, o Dr. Armandino Lopes assinou um artigo de opinião no semanário Sol, subordinado ao tema “Da Cooperação, à Inovação”, no qual refletiu sobre a evolução das realidades socioeconómicas dos países africanos de expressão portuguesa e sobre o papel estratégico da cooperação no desenvolvimento de novas oportunidades de crescimento.
Neste texto, destacou a relevância da lusofonia como espaço de proximidade cultural, jurídica e económica, sublinhando a importância do diálogo, da estabilidade institucional e do conhecimento aprofundado dos contextos locais na promoção do investimento e da colaboração entre países.
A publicação deste artigo constitui um testemunho do interesse e do acompanhamento que o Dr. Armandino Lopes tem dedicado, ao longo dos anos, às dinâmicas internacionais, à cooperação entre mercados lusófonos e às perspetivas de desenvolvimento económico em geografias com forte potencial estratégico.
Segue artigo na integra.
DA COOPERAÇÃO, À INOVAÇÃO
Desde meados da década passada, dedico a maior atenção, sobretudo no domínio empresarial, à evolução das realidades socioeconómicas dos países continentais africanos que, hoje também, integram a CPLP.
Enquanto comunidade internacional de oito estados livres e independentes, vinculados à Lusofonia, a CPLP estabeleceu horizontes dum novo universo económico comunitário transcontinental, historicamente enraizado numa herança cultural de relações ancestrais, interesses e língua comuns.
No percurso intenso dos últimos cinco anos, senti, quanto a comunicação verbal quotidiana em língua materna comum pode aproximar povos diferentes e ajudar os seus técnicos, na identificação, equacionamento e solução de problemas e apaziguamento de questões difíceis.
Uma miscigenação sociocultural multisecular sedimentada, talvez intrínseca ao idioma, favorece o relacionamento e as negociações. Gera e consolida um estatuto de privilégio em diálogo franco. Ultrapassa os proveitos materiais, alicerça laços de amizade e valoriza as relações profissionais tornando-as estimulantes.
O desenvolvimento económico de países, como Angola, Moçambique e a Guiné-Bissau, iniciou-se com lentidão, assente em bases que, na actualidade, requerem da iniciativa privada uma postura moderna: um perfil empresarial de nova-geração. A estabilidade política e social destes países, que evoluem para a sustentabilidade democrática, é o factor essencial ao sucesso do investimento. Alterações radicais originaram situações imprevistas e modificaram a estrutura do sistema económico.
É imperativo persistir no trilho da paz e reconciliação.
Um outro importante factor estrutural, uma segunda afinidade, acresce o benefício essencial do idioma comum entre estes países. A organização político-administrativa, legislativa e jurisdicional e a ordem jurídica dos novos países, obedece a princípios-gerais, formais e processuais próximos dos de Portugal. Potenciam o intercâmbio da experiência e práticas socioprofissionais, reconhecendo a validade da formação académica e científica nos quatro países.
Tal realidade consubstancia, afinal, um potencial recíproco e vantajoso, para o empresariado e os investidores, beneficiando as populações, dos países em apreço com a desejável melhoria das suas condições e estilo de vida.
Não obstante o momento crítico que atravessamos, o êxito de alguns resultados promissores é gratificante.
Para enfrentarmos as actuais dificuldades conjunturais, a África que fala português é uma excelente saída. Contudo, é fundamental o apoio responsável, sólido competente e dedicado, de profissionais, conhecedores da realidade e das idiossincrasias de cada um dos países. Apesar dos obstáculos, de muito que há a fazer, este é um mar que conhecemos, que já trilhamos e, estou convencido, será o nosso desígnio no século XXI, tal qual o foi no Séc. XV.
ARMANDINO LOPES (Advogado)